Introdução
A depressão unipolar e bipolar continua sendo um grande desafio clínico, especialmente quando os pacientes não respondem adequadamente aos tratamentos tradicionais. Nesse contexto, a cetamina e sua variante, a esketamina, têm ganhado destaque por oferecerem alívio rápido dos sintomas depressivos, incluindo pensamentos suicidas.
Um novo Overview of Reviews (OoR) reuniu e analisou revisões sistemáticas com meta-análises de ensaios clínicos randomizados para avaliar a eficácia e segurança dessas substâncias em diferentes perfis de depressão.
Objetivo do Estudo
O trabalho buscou sintetizar evidências sobre o uso de cetamina e esketamina — administradas por vias intravenosa, intramuscular, intranasal ou subcutânea — no tratamento de episódios depressivos maiores, tanto em depressão unipolar quanto bipolar, incluindo casos resistentes e não resistentes ao tratamento.
Métodos
- O protocolo seguiu as diretrizes PRIOR e foi registrado na plataforma INPLASY (ID: 202150049).
- Foram pesquisadas revisões sistemáticas com meta-análises nas bases PubMed, Scopus, Cochrane Library e Epistemonikos.
- Apenas estudos em inglês e que analisavam ensaios clínicos randomizados foram incluídos.
- Foram avaliados desfechos como:
- redução de sintomas depressivos
- risco de suicídio
- taxas de resposta e remissão
- recaídas
- efeitos adversos
- Estudos envolvendo cetamina como anestésico para ECT foram excluídos.
Resultados
- O OoR incluiu 26 revisões sistemáticas e 44 ensaios clínicos, totalizando 3.316 participantes.
- A cetamina e a esketamina demonstraram eficácia significativa e boa tolerabilidade no tratamento da depressão.
- Contudo, a qualidade metodológica das revisões e dos estudos originais foi considerada baixa, o que reduz a certeza das evidências disponíveis.
Limitações
O estudo destaca que:
- A baixa qualidade dos estudos limita a força das conclusões.
- Não há dados suficientes para diferenciar claramente os efeitos da cetamina e da esketamina entre depressão unipolar e bipolar.
Conclusão
Apesar das limitações, a cetamina e a esketamina apresentam grande potencial terapêutico para o tratamento de episódios depressivos, especialmente em casos resistentes. Os autores reforçam a necessidade de pesquisas mais robustas para orientar melhor a incorporação dessas terapias em diretrizes clínicas futuras.


